Semente de abóbora


Uma amiga ficou hospedada aqui em casa alguns dias em janeiro, e por causa dela eu comecei a colocar sementes de abóbora na salada. Não é incrível isso? Você tá lá fazendo seu almoço e pá, de repente pensa na sua amiga. A mesma coisa para uvas congeladas. Uma das melhores dicas que já recebi na vida.

Outra amiga me recomendou um app para eu receber notificação de quando vai ter show de artista que eu gosto na cidade. Ela ta em show dia sim e outro também, e quando eu disse que nunca ficava sabendo das datas do show a tempo de comprar ingresso, ela falou pra eu usar esse app. Aí tá lá o ícone do app no meu celular e toda vez que bato o olho, lembro dela (tudo bem que é ela é tão legal que ainda assim me manda mensagem quando fica sabendo de show que acha que eu vou gostar, ela é meio que meu app personalizado).

Nunca vou me esquecer do dia que uma amiga me ensinou a dobrar lençol com elástico. Infelizmente estávamos todas meio alegrinhas depois de alguns G&T e eu não lembro como faz, mas lembro claramente da minha animação ao vê-la dobrar o lençol perfeitamente.

Esses dias fiquei sabendo por essa mesma amiga - que soube de outra amiga nossa - que passar Vick Vaporub na sola do pé ajuda com a tosse. E há uns anos uma delas também me ensinou que sobrancelha não se escreve com m depois do o. Eu escrevia sombrancelha! Essa mesma amiga também me me deu aquele toque básico depois que leu a palavra minuciosamente escrita de forma errada nesse blog.

Ah, e por causa de uma amiga eu também consegui equilibrar um ovo, e aprendi a economizar sabonete líquido para as mãos. Gente, basta misturar com água! De nada. Agradeçam a minha amiga.

Será que eu já coloquei semente de abóbora na vida alguém? Espero que sim.

Bristol


Como estamos sem poder viajar para fora do país por enquanto (visto sendo renovado), tenho tentado passear mais por Londres e arredores. Lembro que no primeiro ano que moramos aqui fizemos vários passeios bate e volta para outras cidades, mas com o tempo a gente vai sendo engolido pela rotina e esse tipo de viagem vapt vupt virou coisa rara (eu as vezes vou sozinha pelo blog, ou com algumas amigas, mas raramente o Martin vai junto).

Então decidi que a gente deveria ir para Bristol, mas rapidinho me dei conta de quem um bate e volta não seria suficiente pra ver o melhor da cidade, que é muito conhecida por causa da arte de rua e também por ter várias lojas, galerias e cafés independentes. Decidimos passar um fim de semana de lá, e Martin vlogueiro entrou em ação mais uma vez. Aqui está o vídeo com os destaques da nossa visita a Bristol (não tem tudo, mas dá uma ideia):




Reservada


Conversando com uma amiga ontem, descobri algo novo sobre mim: ela me disse que eu sou reservada. Tomei um susto: como assim, eu, reservada? Eu tenho blog há trocentos anos, participo ativamente das redes sociais, sempre achei que mostrava demais...

Mas entendi o que elas quis dizer, e acho que ela está certa. O que pra mim foi uma grande caída de ficha (ficou bizarro essa expressão usada assim hein?). A verdade é que eu morro de medo de falar sobre a minha vida para os outros e ser o tipo de pessoa que só sabe falar de si. Eu eu eu! Eu prefiro esperar que me perguntem, mas mesmo assim a tendência é dar respostas rápidas, sucintas. Acho um tédio quando alguém não para de falar de si mesmo - o tempo todo, em todas as ocasiões - e a última coisa que eu quero é que alguém se sinta entediado e apagado quando fala comigo.

Lembro como fiquei chateada quando recebi um comentário aqui me acusando de folgada e feminista de araque, de não ter um trabalho fixo e ter que contar com o meu marido financeiramente. Pensei "como essa pessoa sabe pouco sobre mim!", e é bem por aí, afinal o que vem parar nesse blog é apenas um apanhado geral de uma vida ordinária! Se eu falo pouco sobre mim ao vivo e a cores, no blog a coisa é ainda mais filtrada.

Adorei que essa minha amiga me falou isso. Nunca achei que iria descobrir algo novo sobre mim aos 36 anos!

Leitura: Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie


Eu conheci a Chimamanda por causa do TED talk dela sobre feminismo (bom, na verdade eu li o livro e depois vi a palestra), e fiquei curiosa para ler outras obras dela. Comecei por Americanah, que acho que é a mais conhecida, que havia sido muito bem recomendada (por um monte de gente!).

Gostei muito, até porque tenho achado cada vez mais difícil encontrar um bom livro de ficção. Americanah acompanha a vida de Ifemelu e Obinze, um casal de namorados na Nigéria. Quando começam a vida adulta, eles seguem caminhos diferentes, e a narrativa vai alternando entre ele e ela. Ela vai fazer faculdade nos Estados Unidos e acaba ficando lá muitos anos. Ele acaba indo para a Inglaterra, mas é de volta na Nigéria que as coisas começam a dar certo profissionalmente.

Mas não é apenas a história de um casal. É um livro sobre raça, racismo, imigração e também percepções de gênero.

Como já disse, gostei muito, mas achei que poderia ser uns 30% mais curto. Eu e minha mania de querer editar tudo! Nas últimas páginas eu já estava um pouco entediada, achei que se arrasta um pouco quando a gente já consegue entender o que vai acontecer.

Enquanto eu estava lendo Americanah, foi anunciada uma palestra da Chimamanda aqui em Londres, durante o Women of The World Festival agora em março. Consegui ingresso (já estão esgotados) e estou felicíssima que vou ver de perto essa escritora maravilhosa!

Você prefere ler o que eu escrevo ou ouvir o que eu falo?




Será que em vez de ler o que eu publico aqui você preferiria escutar o que eu tenho a dizer? Vamos fazer um teste? Esse é o primeiro post que eu faço com opção de áudio, utilizando uma plataforma chamada Vooozer. Se você der play aí em cima, vai ouvir tudinho que está escrito aqui.

A ideia é excelente. Afinal, nem todo mundo pode ler, ou então tem tempo pra isso. Mas fica minha dúvida: será que não existe um encanto do escritor, que pode ser perdido quando a voz é revelada? Não que a minha voz seja o segredo mais bem guardado do mundo, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Será que vou conseguir falar o que penso com a entonação certa? Será que você vai me achar irritante? Voz muito grossa, ou muito fina? Você vai querer continuar lendo os posts ou vai preferir apenas ouvi-los?

Façamos então o teste. Pena que vocês não podem gravar nos comentários : ) Então escrevam, por favor!

Outros blogs


Eu sei que dar as caras nesse blog não é obrigação, mas quando me dou conta de que já passaram quase 10 dias desde a última postagem eu sinto uma agonia danada. Ou será que quero apenas manter a imagem congelada do Mr Darcy (vide post anterior) no topo da página? Seria meu inconsciente um fanfarrão?

Acho que escrever em outros blogs (isso mesmo, no plural, porque além do Aprendiz de Viajante eu escrevo também no Coletivo Tropical) as vezes atrapalha um pouco a dinâmica do queridinho aqui. Por exemplo, eu escrevi sobre um hiking que a gente fez no interior da Inglaterra lá no AdV. E sobre as minhas plantinhas suculentas lá no Coletivo. Coisas que no passado teriam vindo parar aqui. Isso sem contar tudo que é relacionado a feminismo, que vai parar ou no Facebook, ou no Brasil Observer ou vira hangout mesmo (agora eu já tô usando o blog de plataforma pra jabá!).

Mas, olhando por outro lado, isso também torna tudo que escrevo aqui muito mais pessoal. Um retorno as divagações, bobagens e anseios. Ah, e os livros né? Sempre os livros. Posso ter o maior bloqueio da história dos bloqueios, mas sempre tenho as leituras pra compartilhar aqui. Estou estimando terminar a leitura atual em mais ou menos uma semana, o que significa que em breve tem post. Quem sabe antes?

A atrasada do Netflix


Netflix entrou na minha vida com bastante atraso. Talvez eu tenha sido a última mulher branca de classe média a ter assistido House of Cards e Orange is The New Black, mais por horror de não entender piadas no Twitter do que por real interesse nessas séries (diga-se de passagem acabei gostando muito das duas, mas ainda não terminei OITNB, então por favor nada de spoilers!).

Eu sei lá quando foi que me dei conta que existia esse serviço. Algum dia percebi que Netflix não era um joguinho ou um meme passageiro e que era algo que todo mundo fazia enquanto eu via reprise de Friends e How I Met Your Mother. Até que percebi que sim, havia Netflix na minha casa: meu prezado marido adquiriu assinatura e não se deu ao trabalho de me avisar. Ele começou a ver umas séries esquisitas que eram justamente as que estavam na boca do povo. Sim, o Martin estava mais por dentro do que eu.

Agora já estou mais acostumada com o Netflix mas ainda assim tenho uma preguiça imensa de começar a ver algo. O primeiro episódio da primeira temporada... é um investimento alto do tempo e do intelecto, não é mesmo? Por isso, quando estou de saco cheio da tv aberta, eu abro o Netflix e assisto o capítulo de Orgulho & Preconceito no qual Mr Darcy mergulha no lago de roupa e depois dá de cara com a Lizzie. Praticamente um fime pornô a lá Jane Austen.

Leitura: Men Explain Things To Me (and other essays), Rebecca Solnit


Já ouviu falar da expressão "mansplaining"? Em português seria algo como "homexplicação". Ou seja, uma combinação tosca das palavras homem (man) e explicação (explaining). Essa expressão é utilizada para descrever situações nas quais homens explicam algo para um mulher - sem ela pedir e que ela já sabe - de forma condescendente.

Essa expressão apareceu depois que o texto "Men Explain Things To Me" foi publicado há anos. Importante: o termo não foi cunhado pelo autora Rebecca Solnit, mas foi sim a fonte de inspiração.

O fato é que o texto fez tanto sucesso que acabou sendo carro chefe de um livro de mesmo nome, que reúne diversos textos relacionados a feminismo escritos por essa mesma autora. É um livro excepcional, que coloca o feminismo em um contexto social, político e econômico. O tipo de livro pra grifar e ter sempre a mão como referência, o tipo de livro que ajuda a gente construir argumentos para combater discursos machistas.

Eu sei que ele está disponível em outros idiomas, mas uma amiga procurou em português e não encontrou. Achei fácil de ler, e compreensível mesmo pra quem não tem nível avançado de inglês.




Leitura: The Princess Diarist, Carrie Fisher


Os fãs ferrenhos de Star Wars não vão gostar de saber que eu comecei a me interessar pela saga por causa dos episódios estilo sátira do desenho animado Family Guy (por favor direcionem sua raiva pro Martin, ele me venceu pelo cansaço e eu passei a assistir Family Guy por causa dele). Apesar do sarcasmo inerente, os episódios Star Wars de Family Guy fazem um resumo até que muito bom da série.

Claro que eu já era familiarizada com Star Wars antes disso. Sabia principalmente quem era a Princesa Leia (graças ao episódio de Friends, onde Ross pede para Rachel se vestir como ela), mas sabia também que Luke era um jedi e que o Darth Vader era o vilão. Era isso.

E aí que em 2015 rolou toda a emoção por conta do novo episódio - The Force Awakens - reunindo os personagens mais icônicos e colocando gente nova na cena. Fiquei com preguiça de assistir, mas então o Martin me convidou para a exibição ao ar livre no parque aqui do lado de casa no verão de 2016. E lá fui eu, finalmente assistir ao meu primeiro Star Wars.

Eu adorei The Force Awakens (em português: O Despertar da Força). ALERTA DE SPOILER. Quando a Leia - agora General! - fala para Rey "may the force be with you", a galera pirou! Todo mundo bateu palmas, rolou uma comoção geral. Achei incrível, nunca tinha visto isso antes. Acho que foi nesse momento que Star Wars realmente me conquistou.

Alguns dias depois o Martin me deu de presente uma bonequinha da Rey (uma das novas personagens), e quando me dei conta já estava pesquisando sobre o episódio que seria lançado no fim de 2016, Rogue One.

A Leia também aparece em Rogue One. E alguns dias depois de assistir o filme, eu fiquei triste com a notícia da morte de Carrie Fisher. Triste mesmo. Com aquela sensação de que me interessei por ela tarde demais. Mas, para a sorte dos amantes dos livros desse mundão, a Carrie Fisher não deixa apenas a Leia como legado. Ela deixa um monte de livros publicados também. Então eu decidi ler o mais recente: The Princess Diarist.

Esse livro é uma espécie de autobiografia, e a Carrie usa como base um diário que ela escreveu em 1976, durante as filmagens do primeiro Star Wars (por primeiro entenda-se o episódio IV. Eu sei, tambem demorei pra compreender a ordem esquisita dos filmes). Mas o livro não é restrito ao diário. O diário, aliás, é apenas uma pequena parte. O melhor é a reflexão que ela faz sobre a época: como era a vida antes de se tornar a Princesa Leia, e como foi lidar com o sucesso inesperado aos 20 anos de idade (ah, e tem também o romance com Harrison Ford).

Eu adorei a maneira como ela escreve. Dei gargalhadas lendo algumas passagens e fiquei supresa ao descobrir que ela odiava o penteado icônico da Leia. Ela também escreve sobre os encontros com os fãs ferrenhos, e a vida 40 anos após a filmagem.

Fãs de Star Wars: leiam. E quem não é fã mas gosta de textos honestos, sem meias palavras, leiam também. Fique em paz, Carrie Fisher! Que a força esteja com você.

Marcha das Mulheres em Londres


Participar da Marcha das Mulheres foi uma das coisas mais legais que fiz desde que me mudei pra Londres. Sim, esse dia foi assim de especial! É tão difícil mobilizar as pessoas e fazê-las participarem de eventos assim, que acho que as organizadoras não esperavam tanta gente. Cerca de 100 mil pessoas saíram de casa em um sábado gelado (porém com muito sol) para mostrar suas preocupações diante não apenas do novo presidente estadunidense, mas também a combinação desse fato com outros problemas já existentes, como Brexit, ameaças aos direitos já conquistados pelas mulheres, assistência precária a mulheres vítimas de violência doméstica e tantas outras questões ligadas a direitos humanos.

Foi inesquecível marchar pelas ruas de Londres ao lado de tanta gente que talvez nunca tenha feito isso antes, mas que sentiu que a hora é agora. A atmosfera era, por incrível pareça, de otimismo, de irmandade, de vontade de mudar o mundo. Há quem pergunte se as marchas pelo mundo terão efetivamente algum resultado. Pra mim, o fato de milhares pessoas estarem lado a lado deixando claro suas preocupações, já é um resultado. Talvez dessas milhares, algumas dezenas irão fazer doações para instituições que protegem mulhers. E algumas centenas vão perceber a importância do voto e irão comparecer nas urnas nas próximas eleições. Outras vão finalmente entender que as microagressões machistas e racistas sofridas por tantas mulheres no mundo inteiro devem ser levadas a sério em vez de serem interpretadas como "coisas da vida".

Enfim, é um começo.

Eu montei um álbum na página do Conexão Feminista no Facebook com fotos das Marchas das Mulheres pelo mundo. Tem Londres, Washington DC, Austin, Franfurt, Vancouver... quem quiser contribuir, mande suas fotos por email para info@conexaofeminista.com. E quem quiser ver as fotos, é só clicar aqui.

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Esse post não vai revelar algo que vai mudar sua vida


Eu trabalho criando conteúdo pra internet então sei o quanto é difícil chamar atenção dos outros e fazê-los desejar ler o que eu escrevi. Mas meu senhorzinhodocéu quem aguenta esses títulos dos infernos que parecem promessa de político? O famoso jornalimso "clickbait", que usa o título como isca só pra conseguir cliques e aumentar o número de visualizações da página.

Como eu ganho dinheiro com blog (não esse aqui, óbvio), sei que é importante ter números altos pra atrair parceiros e patrocínios. Mas há maneiras e maneiras de fazer isso. Esse papo aliás não é nada novo, mas hoje me toquei que o maldito clickbait chegou nos blogs de design. Tinha um blog que adorava e usava muito como referências nas pesquisar para asminhas matérias. Fiquei um tempo sem acessá-lo depois que fiz a mudança de carreira ano passado, mas hoje voltei nele porque estou trabalhando em um frila de design e PÁ! Pra minha supresa o tom de voz do blog está totalmente diferente, agora em vez de "nova mesa de madeira do designer fulaninho de tal" é "essa mesa vai revolucionar a maneira como você vê a madeira" ou algo do tipo.

Fico imaginando que meleca que deve ser trabalhar para os grandes portais e ter que escrever assim, seguindo ordens do editor. "Olha, não tem nada interessante pra você escrever hoje mas que tal conseguir uns 15 mil cliques usando informações que você vai buscar nas redes sociais e não tem fundamento algum? Joga aí umas imagens sem copyright e faz aquele título clickbait bacanão que vai ficar uma beleza".

Leitura: O Segundo Sexo (Extratos), Simone de Beauvoir


O Segundo Sexo é talvez a obra literária feminista mais importante do século 20, e quem começa a se interessar por feminismo e se engajar com campanhas e movimentos mais hora menos hora vai se deparar com alguma referência ao livro ou uma citação de Simone de Beauvoir ("Não se nasce mulher, torna-se", talvez a mais conhecida).

Recentemente eu encontrei esse livro, com alguns extratos do Segundo Sexo (três capítulo pra ser mais precisa) e achei que seria uma boa para o meu primeiro contato formal com Simone. É uma leitura difícil pra caramba (vocabulário complexo, sentenças muito longas, citações de outros autores e teorias filosóficas), mas de repente, no meio disso tudo, "aparecem" frases que conversam muito com coisas que a gente vive hoje. Tipo essa: "o mais medíocre dos homens acredita que é um semi deus diante de qualquer mulher" ou essa: "enquanto a mulher tiver que lutar para ser reconhecida como ser humano, ela não conseguirá ser capaz de criar".

Quem sabe um dia eu leio O Segundo Sexo inteiro, mas por enquanto continuo a digerir o tanto que já aprendi lendo esses extratos.

Ano novo na London Eye (vídeo)

Esse foi o nosso nono réveillon em Londres, e a primeira vez que fomos ver os fogos da London Eye de pertinho. Há alguns anos fizemos o passeio de barco, que foi bem abaixo das expectativas (contei aqui), mas a experiência de estar bem em frente a London Eye é inesquecível. Farei de novo com certeza! Tem um post no Aprendiz de Viajante explicando direitinho como faz para comprar os ingressos e outro post falando de mais opções para passar o réveillon em Londres.

Escape Room


No fim do ano passado, como parte de um dia de comemorações com um grupo de amigas amadas, fui pela primeira vez em um "escape room" (há uma tradução decente para esse termo? como se chama esse tipo de jogo no Brasil?). Bom, pra quem nunca ouviu falar de uma escape room, trata-se de um desafio que deve ser resolvido em grupo. O nosso, por exemplo, era escapar da prisão.

Você é colocado em uma sala e tem um problema pra resolver. A sala tem todas as dicas e ferramentas, mas claro que não é óbvio, e uma vez que você resolve um problema, aparece outro. E há toda uma ordem: você acha uma chave que tem um número que é a senha pra abrir um cadeado que dá acesso a um armário que tem um código numérico que... ah, entenderam né? E acrescente aí a questão do tempo, já que você não tem o dia inteiro pra resolver (leia-se: há outros grupos esperando com hora marcada).

Eu não achava que ia gostar tanto dessa brincadeira. Foi muito divertido, e adorei a adrenalina. Fico pensando nas pessoas que montam esses desafios, porque a coisa toda é muito bem pensada. São dezenas de detalhes, de rabiscos nas paredes a botões estrategicamente espalhados pelas salas e códigos que precisam ser decifrados a partir de outras pistas deixadas. A gente usou o tempo máximo (tem quem resolva tudo com vários minutos de antecedência, o que me deixa intrigada) e também precisamos pegar umas dicas, principalmente no final quando você percebe que faltam poucos minutos e vai batendo um pânico, a solução não aparece.

Existem diversos escape rooms aqui em Londres e não vejo a hora de fazer de novo. Além de ser ótimo entretenimento é também uma maneira de exercitar os neurônios ; )

(em tempo: nós fomos no Omescape e fizemos o desafio The Penitentiary, que foi o único que achamos que dava pra fazer em sete pessoas)


Continuamos correndo


Nesse domingo que passou a gente participou de mais uma prova de 10k, dessa vez no parque aqui do lado de casa. Participar dessas provas é sempre bom, dá uma motivação que em treino nenhum a gente consegue. Engraçado que, apesar de a gente se inscrever nesses eventos mais como um estímulo pra nós mesmos, chega na hora bate aquela competitividade.

Foi uma corrida legal, porque foi pequena, tinham aproximadamente 150 competidores (a menor que a gente já participou). E desses 150, apenas 2 pessoas estavam participando de uma prova de 10k pela primeira vez. Essa série de 10k que acontece em diversos parques da cidade durante o ano inteiro, que se chama "The Race Organiser", tem essa característica: provas ondes corredores experientes participam para treinar e melhorar seus tempos.

Ou seja: nós, amadores que somos, sempre ficamos na turma do fundão : )

Eu achei que não conseguiríamos terminar abaixo de uma hora (seria a primeira vez desde que conseguimos fazer isso pela primeira vez em uma prova de fevereiro do ano passado), porque o parque é cheio de ladeiras e eu ainda por cima estava saindo de uma gripe. Mas conseguimos! Passamos na linha de chegada aos 59 minutos e 42 segundos.

E o mais importante: pela primeira vez saímos com uma cara decente em uma das fotos oficiais.


Novos guias de passeios bate e volta


Em agosto de 2016 eu publiquei o primeiro guia da série de passeios bate e volta a partir de Londres, sobre Oxford e Cambridge. E antes do ano virar mais dois foram publicados (eu que esqueci de avisar aqui antes, mas o lançamento foi pro ar lá no Aprendiz de Viajante): um sobre Bath e outro sobre Windsor e Hampton Court.

Já falei várias vezes que Bath é minha cidade preferida na Inglaterra (e também uma das minhas preferidas no mundo, não que eu conheça tantas assim), e eu moraria lá facilmente. Por isso optei por dedicar um guia todinho só pra ela. Já Windsor e Hampton Court estão em um guia só porque tratam-se de lugares com conexão com a realeza: o Castelo de Windsor, que ainda é uma das residências oficiais da monarquia; e o Palácio de Hampton Court, por onde já passaram diversos reis e rainhas, como Henrique VIII.

A ideia é continuar adicionando destinos a essa série de guias. Todos estão disponíveis em formato ebook, e aqui no blog tem uma aba dedicada para eles (clique em Guias de Viagem aí em cima, e então você verá uma listinha, clique na ultima opção: Série Bate e Volta de Londres). Cada ebook custa R$9,90.




Exposição: Emma Hamilton, Seduction & Celebrity


Começamos o ano bem, indo em uma exposição! Os museus aqui em Londres abrem normalmente dia 1 de janeiro, então aproveitamos para ver essa exposição no National Maritime Museum, que fica bem perto de casa.

Você provavelmente nunca ouviu falar da Emma Hamilton. Talvez, se você realmente gosta de história (principalmente sobre guerras e batalhas), tenha ouvido falar dela como a amante do Lord Nelson. Infelizmente, como aconteceu com tantas mulheres na história, todos os sucessos e realizações da Emma Hamilton acabaram esquecidos. Depois da morte de Nelson, ela foi desmoralizada e acabou morrendo 10 anos mais tarde, pobre e abandonada pelos amigos.

Mas muito antes do Lord Nelson entrar na vida de Emma, ela já havia construído seu legado. Nasceu muito pobre e foi para Londres com 12 anos para trabalhar como serviçal (DowntonAbbey feelings, pra quem assistiu). E, como acontecia com a maioria das meninas pobres e sozinhas nessa época, ela também foi prostituída. Por causa de sua beleza, acabou virando "protegida" de alguns aristocratas.

Um deles a mandou para Nápoles, para viver com o seu tio (ela achava que ele viria depois e eles ficariam juntos, mas foi enganada). Desiludida, ela viu na vida em Nápoles uma oportunidade para aprender e refazer sua vida. Ficou fluente em italiano e francês e aperfeiçoou seus talentos como atriz, passando a realizar apresentações e desenvolvendo seu próprio estilo de performance, chamado "Attitudes". Ficou conhecida em toda Europa, foi retratada por vários artistas, e acabou se casando com o homem que a protegeu em Nápoles.

Ficou amiga da família real da Sicília e intermediou negociações e planos para proteger a monarquia dos ataques de Napoleão. Foi nessa época que conheceu Nelson e os dois começaram uma relação.

Depois de 14 anos em Nápoles, voltou para Londres (junto com o marido e Nelson, imagina a situação os três viajando juntos). O marido dela morreu logo depois, e Nelson deixou a esposa para viver com Emma. Viviam bem, mas passavam muito tempo separados, já que ele estava no mar comandando batalhas. Como a relação deles não era oficial (mas era pública, não escondiam de ninguém), ela começou a perder influência e o status adquirido durante seus anos em Nápoles.

Nelson morreu na Batalha de Trafalgar e a partir daí a vida dela passa a ser um inferno. Tem problemas financeiros, e inclusive chega a ser presa. Todas as suas conquistas são "apagadas" da história, ela passa a ser conhecida nos livros como a amante de Nelson. Ainda mais por ele ter se tornado um mártir, ela não passa de uma sombra na vida dele.

É um fim triste para um mulher extraordinária. O que escrevi aqui é um resumo, a exposição é imensa e detalhada. Fica até abril, recomendo pra quem estiver Londres!

Leitura: Carnival, Rawi Hage


Eu não lembro quem tinha me falado ou onde eu li que esse livro era muito bom. Foi o primeiro que li desse autor, e pra mim não rolou. Assim, ruim não é. Tem várias passagens boas, inclusive muitas naquele estilo "vida real transformada em ficção" que eu adoro, mas no greal achei meio sem pé nem cabeça.

O começo é arrastado, aí o meio é bem interessante, aí no fim acontece um monte de coisas tudo ao mesmo tempo agora e termina conceitualmente. ODEIO finais conceituais. #meujeitinho

Olha, quanto mais eu leio livros de não ficção, mais dificuldade eu tenho de achar uma ficção que eu realmente ame. Aliás, há uns meses eu resolvi dar uma olhada em todos os de ficção que eu comprei há um tempão e ainda não haviam sido lidos, e acabei colocando vários na pilha de doação. Preciso ser mais seletiva na hora de comprar livros.

Ah, criei uma hashtag no Instagram para marcar todos os livros que leio (comecei a postar sempre lá, assim que termino), pra quem tiver curiosidade é só procurar #heloreads



Montanha Russa


Hoje eu fui numa montanha russa! Eu não lembro qual havia sido minha última vez em uma montanha russa. Certamente há mais de oito anos, que é o tempo que moro em Londres. Enfim, não foi uma montanha russa super ultra mega radical, mas foi emocionante pra mim. E o melhor é que fui com duas das minhas melhores amigas e a gente riu muito. Muito mesmo!

Eu não sou a melhor companhia para ir a um parque de diversões. Fico enjoada fácil, tenho medo (não de altura, tenho um medo mais louco mesmo, de morrer em algum desses brinquedos porque a trava de segurança falhou ou algo assim), e mal abro os olhos quando estou no brinquedo. Mas acredite se quiser, eu era pior quando mais nova.

Lembro que uma vez, acho que eu tinha uns sete anos, meu pai levou eu e minha irmã no Playcenter. Aí nós duas resolvemos ir no tobogã (quer dizer, ela deve ter resolvido e eu fui junto, porque teve uma época na nossa infância que eu era maria vai com as outras em relação a minha irmã). Chegando lá em cima, depois de subirmos as escadas, minha irmã desistiu. Ficou com medo. Eu, é claro, desisti também. Ir sozinha? Nem a pau! Descemos as escadas, morrendo de vergonha, contra o fluxo da galera subindo. Chegamos lá embaixo e meu pai não escondeu sua decepção. Ele resolveu que a gente deveria ir, e foi junto. Subimos as escadas de novo e fomos os três.

Olha só gente, tive um insight agora, Freud ficaria orgulhoso: a gente costuma culpar nossos pais pelos nossos medos e problemas mais profundos, mas podemos também culpar as irmãs e irmãos mais velhos. Taí, resolvi que meu cagaço com brinquedos de parques de diversões é culpa da minha irmã. Ha!

Ok, foco. Sobre a montanha russa hoje. Parece uma bobagem né, mas fiquei o dia todo pensando nisso. Eu fui em uma montanha russa! Deu tudo certo! Eu curti! Fiquei com medinho, mas curti. poxa, que bom fazer algo assim, tão atípico pra mim, antes de fechar esse ano tão esquisito.

Obrigada minhas amigas amadas, Marina e Quézia, por gritarem também!

(esse é o vídeo da Montanha Russa que a gente foi, não fui eu que filmei)

Foco


Eu tenho alguns planos pra 2017. Mas são planos grandes, que precisam de investimento de tempo/trabalho e/ou dinheiro (portanto, altas chances de darem errado), então deixarei para contar aqui a medida que eles forem saindo do papel.

Dei uma olhadinha no que escrevi aqui há mais ou menos um ano, sobre meus planos pra 2016. Eram 5 metas bem específicas: correr uma meia maratona, terminar de escrever um livro, fazer algum curso, fazer trabalho voluntário e pedir mais. Infelizmente não fiz nenhum curso, por pura falta de organização mesmo. 

Uma coisa muito boa que aconteceu em 2016: amizades novas. Saí da minha zona de conforto e fiquei um pouco menos anti social. O blog mais uma vez foi essencial (acho que todas as minhas amizades londrinas são decorrentes do blog, direta ou indiretamente), e preciso sempre me lembrar disso quando penso em parar. 

Preciso um pouco mais de foco em 2017. Entrei aqui pra escrever um post pra falar mal de algo que vi no Facebook e acabou nisso.